Redentoristas no Mundo

História da Congregação do Santíssimo Redentor ou Missionários Redentoristas

           Nápoles tem uma história antiga. Por lá passaram muitos povos e culturas. O povo napolitano tem no coração riquezas de todas essas culturas que se misturaram e, pela fé, se tornaram um dom para a Igreja. Ali se desenvolveram as artes a as ciências. Dizer napolitano é dizer acolhedor, alegre, devoto e cheio de vitalidade de sangue quente pois é banhado de um sol que lhe dá uma espiritualidade irradiante em contraste com a frieza da Europa do Norte.O Reino de Nápoles era uma sociedade dividida em classes de nobres, clero e um povinho sofrido que vivia para pagar os impostos. Tinha umas cidades florescentes e um interior sofrido e abandonado pelo Estado e pela Igreja. Pela pouca assistência religiosa a população era pobre, ignorante e cheia de superstições.

             O clero do interior não tinha preparação. Podemos ver a situação religiosa do povo. Foi neste mundo que no dia 27 de setembro de 1696 nasceu Afonso de uma família nobre, não rica. Eram muito religiosos como todo napolitano. O pai, José de Liguori e A mãe Ana Cavalieri lhe deram a formação completa para ser um nobre. Aos 16 anos já era advogado. Aos 28, perdeu um grande processo, por corrupção da justiça. Abandonou os tribunais e passou para a defesa do povo oprimido fazendo-se sacerdote, com 30 anos. Esse foi seu primeiro êxodo: da justiça injusta, passou para a justiça do Evangelho. O segundo passo se seu caminho espiritual foi ser sacerdote para servir na pregação e no sacramento da penitência. Como sacerdote que serve, descobriu os pobres da cidade. Começou a organizar grupos para rezar, cantar e aprender a fé. É o terceiro passo. Indo para o interior, para descanso, descobre os pobres do campo (1730). Este é um dado importante para a fundação da Congregação, pois não só ia evangelizá-los, mas mudou-se definitivamente para o meio dos pobres para levar sua vida entre seus currais e casebres. Mudou-se para Scala. Este foi seu êxodo que significou sua total adesão a Cristo para a evangelização dos pobres.      

No dia 9 de novembro de 1732, com alguns de seus companheiros fundou a        Congregação do Santíssimo Redentor, um ano depois que Maria Celeste Crostarosa  fundou a Ordem do Santíssimo Redentor. Formou-se uma família que continua a missão do Redentor evangelizando pela Palavra e pelo amor os mais abandonados. Os primeiros redentoristas deram um testemunho de santidade e de apostolado que firmaram a Congregação apenas nascida.      

Houve muita dificuldade e sofrimento para levar adiante o novo projeto que não cabia dentro das regras do Reino de Nápoles. As missões eram muito apreciadas e davam um grande resultado. As igrejas das comunidades tinham grande frequência. A relação da comunidade com as comunidades evangelizadas ajudava a manutenção dos frutos da missão. Afonso se dedicava também à escrever para ajudar a obra apostólica servindo-se também da música e da pintura. Muitos de seus padres e irmãos eram de grande santidade como podemos ver em S. Geraldo Majella, no estudante Fr. Domingos Blasucci, nos padres Cáfaro, Sarnelli (já beatificado), Sportelli e tantos.   

               

                 Em 1749 o Papa Bento XIV aprovou a Congregação e as regras que a regiam. Mas o governo do Reino não aprovava. Mesmo assim, ela se desenvolvia. Pela dificuldade de manter a Congregação no Reino de Nápoles, pois poderia ser supressa por um nada, Afonso, a partir de 1755, fundou casas nos Estados Pontifícios, que era o Reino da Igreja, do Papa. Assim estaria a salvo se houvesse uma supressão da Congregação.      

            Houve uma possibilidade de receber a aprovação da Congregação no Reino. Para isso fizeram mudanças tão grandes nas regras que provocou a desaprovação dos confrades que apelaram para Roma. Para a dor de S. Afonso, o Papa declarou que eram Congregação somente as casas que estavam nos Estados Pontifícios. As casas redentoristas de Nápoles estavam foram da Congregação (21.08.81). Com isso, S. Afonso estava fora da Congregação. E assim morreu. Depois de sua morte tudo se encaminhou de tal modo que o próprio governo, que fazia tanta lei, acabou dando chance de se aprovar a existência da Congregação no Reino. No ano de 1793 foi feita a reunificação.      

            Neste período de separação a Congregação cresceu e entraram nela dois alemães que provocarão seu maior crescimento: Clemente Hoffbauer e Tadeu Hübl. Foram ordenados padres e enviados (1785) para a Europa Norte para expandir a Congregação e ajudar a Igreja nas situações em que vivia. Eles estiveram com os redentoristas italianos 11 meses e foram capazes não só de apreender o espírito, como provocar grande crescimento. Quando entraram na Congregação em Roma, S. Afonso ainda vivia.      

Foram para Viena na Áustria, mas não era possível fundar casas religiosas ali, quando as antigas já tinham sido fechadas. Vão para Varsóvia para ir mais longe. Ali ficam 20 anos num grande trabalho e muito fruto. Clemente procurou expandir a Congregação, mas não conseguia. Sofreram muito pelas guerras e políticas maçônicas. Quando Napoleão era o senhor de tudo, eles foram expulsos de Varsóvia (1808) e ele foi para Viena onde exerceu profundo apostolado. Tentou a permissão de estabelecer os redentoristas. No dia em que morreu (20.03.1820) colocaram-lhe nas mãos o protocolo da aprovação da Congregação.Desenvolvimento      

            Pe. Amand Passerat que o substituiu na direção dos redentoristas transalpinos (além dos Alpes) pode levar adiante muitas fundações e um crescimento muito grande do número dos redentoristas. E eram de grande qualidade. Com o crescimento surge um problema: a distância. Em 1732 já estão nos Estados Unidos. Eles dependiam do Vigário Geral, Pe. Passerat que estava em Viena. Este dependia do Superior Geral que estava em Pagani, Reino de Nápoles, longe de Roma. Os Transalpinos queriam uma divisão da Congregação em províncias para facilitar. Os Napolitanos não aceitavam. Tiveram que apelar para o Papa. Este dividiu a Congregação em duas (1853). Mandou que os Transalpinos tivessem uma casa central em Roma e fizessem um capítulo para eleger um superior. Em 1855 foi realizado este capítulo e eleito o superior Pe. Nicolau Mouron.      

            O ramo da Congregação que ficou em no Reino de Nápoles cresceu. Mas as questões políticas acabaram por fechar as casas e houve grande sofrimento. Em 1869, Pe. Berruti, superior dos napolitanos, foi a Roma tratar da reunificação que foi anunciada em 26 de setembro de 1869.      

  1. Afonso fora canonizado em 26 de maio de 1839. Em 1847 se abre o processo de beatificação de S. Geraldo; em 1862 se abre o processo de beatificação de S. Clemente.

            O crescimento foi grande. S. Afonso foi declarado doutor da Igreja em 1871. Sua reflexão moral era acolhida por toda Igreja. A Congregação recebeu em 1863 foi confiado à Congregação o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, devoção que se expalhou pelo mundo.      

            A Congregação iniciou um grande avanço para países do novo mundo. Os capítulos gerais animam a obra missionária que levam à formação de muitas províncias.Tempos novos      

            O Concílio Vaticano II promulgou o decreto sobre a vida religiosa e Paulo VI mandou que todas as congregações fizessem um capítulo especial para a renovação de suas regras e constituições. O Capítulo foi realizado com grande preparação nos anos de 1967-69 e fez um texto novo das Constituições que regem a vida da Congregação. Este texto nasceu na mentalidade do Concílio e ofereceu bases da ação apostólica e espiritual da Congregação.      

            A partir do XXIV Capítulo Geral de 2009, iniciou-se um processo de grande reestruturação da Congregação. Antes as Províncias eram independentes entre si. Nos A partir de então, começou-se a trabalhar em sistema de Conferência, isto é, grupos de províncias baseadas nas 5 regiões do mundo.

           

Resumo:

            A Congregação do Santíssimo Redentor (Congregatio Sanctissimi Redemptoris) ou Missionários Redentoristas é uma congregação missionária fundada por Santo Afonso de Ligório, em Scala (Itália) em 1732. A fundação da  Congregação do Santíssimo Redentor foi a resposta de Santo Afonso de Ligório ao chamado que ele ouviu de Jesus por meio dos pobres.

            Em 1730, Afonso estava exausto por causa dos seus trabalhos missionários. Seus médicos mandaram-no fazer repouso e respirar o ar puro das montanhas. Com alguns companheiros, ele foi para Scala, na costa amalfitana ao sul de Nápoles. No topo das montanhas ficava o Santuário de Nossa Senhora dos Montes, lugar ideal para descanso, ideal também para a contemplação perto da Mãe de Deus: montes, belo panorama, em baixo, o mar e os “cabreiros” (pastores de cabras). Depois desse retiro, cresceu nele o ideal de fundar uma congregação religiosa que cuidasse da pregação aos mais pobres e abandonados.

            Aos 36 anos, o padre Afonso Maria de Ligório funda, em Scala a Ordem do Santíssimo Redentor que, mais tarde, se divide em dois ramos: o das monjas de clausura, na referida ordem religiosa, e a 9 de Novembro de 1732 o ramo dos religiosos de vida apostólica e missionária que se passa a chamar Congregação do Santíssimo Redentor. A sua vida tornou-se uma missão e um serviço contínuo aos mais abandonados.

            Os Missionários Redentoristas, popularmente conhecidos, dão continuidade ao carisma de Santo Afonso na Igreja e na sociedade: “Fortes na fé, alegres na esperança, ardentes na caridade, inflamados pelo zelo, humildes e sempre dados à oração, os Redentoristas, como homens apostólicos e genuínos discípulos de Santo Afonso, seguem o Cristo Redentor com o coração cheio de alegria, abnegados de si mesmos e sempre prontos a enfrentar o que é exigente e desafiador, participam do mistério de Cristo e o proclamam com simplicidade no viver e no falar, a fim de levar a Copiosa Redenção” (Const 20).

            A Congregação Redentorista, dedica-se fundamentalmente à pregação de missões populares e ao atendimento dos mais desfavorecidos nas paróquias e comunidades. Está espalhada pelos cinco continentes, presente em 82 países. O número de membros com votos emitidos (professos) é em torno de 4000 confrades, integrando padres, irmãos e estudantes. Isso faz deste instituto religioso um dos dez mais numerosos em todo o mundo católico.

            O XXV Capítulo Geral foi realizado em novembro de 2016 na Tailândia coma presença de 102 Capitulares, mas a comissão preparatória, convidados, especialistas. Todas as unidades do mundo estiveram representadas, nele foram eleitos os membros do Conselho Geral para o sexênio 2016 a 2022:

Superior Geral:

  1. Michael Brehl (reeleição) da Província do Canadá.

Redentoristas no Brasil

Os Missionários Redentoristas no Brasil

Os Redentoristas no Brasil

            No Brasil, a Congregação Redentorista foi trazida inicialmente pelos missionários holandeses e alemães. Em janeiro de 1894, foi fundada a primeira comunidade redentorista em Juiz de Fora/MG pelos holandeses. Poucos meses depois, vieram os redentoristas da Baviera (Alemanha), dando início à Província de São Paulo e Goiás, tendo seu trabalho iniciado em Aparecida/SP e Campinas de Goiás. Em terras brasileiras, os redentoristas estão divididos em nove (9) Unidades: cinco (5) Províncias e quatro (4) Vices-Províncias.

             Província de São Paulo:

            Dentre as mais de 50 Províncias Redentoristas espalhadas pelo mundo, encontra-se a Província de São Paulo. Ela foi fundada por homens que seguiram fielmente o sonho de seu fundador: evangelizar os abandonados. Em 1894, alguns missionários da Baviera, na região sul da Alemanha, vieram ao Brasil, atendendo ao pedido desesperado dos bispos de São Paulo (Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti) e de Goiás (Dom Eduardo Duarte Silva). A Messe era grande, mas poucos os operários capacitados. A Igreja no Brasil lembrava a comparação que Jesus fez com o povo sofrido de Israel da sua época: ovelhas sem pastor.

            Esses pioneiros alemães, coordenados pelo Padre Gebardo Wiggermann, 14 homens no total, vieram ao Brasil. Alguns foram para Goiás (08 deles), e outros ficaram na cidade de Aparecida (06 deles). Desde então, os Missionários Redentoristas estão intrinsecamente ligados à História de Nossa Senhora Aparecida.

            Nestes 120 anos de evangelização em Aparecida e no Vale do Paraíba, os redentoristas já se espalharam pelo estado de São Paulo. Atenderam diversas regiões, evangelizando alemães, japoneses e o povo brasileiro mais necessitado. A Província de São Paulo tem hoje cerca de 200 membros, trabalhando em diversas áreas da evangelização.

            As Santas Missões deram fama aos redentoristas, pois ficaram conhecidos como os padres de grandes pregações. Já são 117 anos de missões sendo pregadas ininterruptamente. Centenas de missionários redentoristas despertaram a sua vocação a partir da pregação das Santas Missões. Hoje, os missionários da Província de São Paulo possuem uma equipe reforçada de pregadores para as Santas Missões Populares.

            Jamais se pode perder o objetivo de despertar novas e santas vocações. A Província de São Paulo possui hoje um Secretariado Vocacional direcionado especialmente a ajudar o vocacionado no processo de discernimento. Dois missionários são exclusivamente dedicados a este trabalho de animação vocacional, mas todos os Missionários Redentoristas devem ser agentes vocacionais, despertando no jovem a vontade de continuar o Redentor.

            A Província de São Paulo também é pioneira no ramo das comunicações. Quando aprenderam os benefícios da comunicação de massa, os Redentoristas dessa Província investiram confiantemente numa editora, para que mais pessoas fossem atingidas pela pregação. Em 1900, nasce a Editora Santuário, em Aparecida/SP, que há mais de 100 anos vem imprimindo ideias de Redenção. Em 1951, nasce uma emissora de Rádio, a poderosa Rádio Aparecida, que vem sendo uma aliada indispensável na pregação dos filhos de Santo Afonso. Em 2005, nasce a TV Aparecida, grandioso instrumento de evangelização nos dias de hoje. Em 2010, a Província de São Paulo percebeu os rumos que a comunicação vem tomando e investiu no mundo da Web, adquirindo um Portal de Internet, o Portal A12.com, um domínio digital que tem a cara da Mãe Aparecida.

            Os Missionários Redentoristas da Província de São Paulo, desde 1894, são os zeladores de Nossa Senhora Aparecida. A Imagem da Santa permaneceu na Basílica Velha, no morro dos Coqueiros, de 1894 até 1982, quando foi transladada para o Novo Santuário, onde permanece até hoje. O maior Santuário Mariano do mundo recebe mais de 12 milhões de romeiros por ano. Com todo o carinho devido, também se tem o cuidado de esclarecer sempre mais os romeiros sobre o papel de Nossa Senhora na Igreja, e esses estudos essenciais sobre Maria são desenvolvidos e incentivados pela Academia Marial, fonte rica de materiais de pesquisa sobre a Mãe de Deus! Em síntese, não há dúvidas de que essa é uma grande missão para os Missionários Redentoristas.

            A evangelização consiste em apresentar Deus-Amor, revelado por Jesus, a todas as pessoas, especialmente as mais pobres e abandonadas. Mas os Missionários Redentoristas da Província de São Paulo também zelam pela qualidade de vida das pessoas, pois não basta amar os pobres, mas é necessário lutar para que eles saiam da pobreza. Por isso, o trabalho social é indispensável para uma evangelização eficaz. O CAS, Centro de Assistência Social, é um conjunto de obras sociais que tem em vista o bem integral dos ouvintes dos missionários. Essas obras sociais visam a melhorar as condições de vida das crianças (Projeto Semear); a dar oportunidade para os jovens (Projeto Inclusão Jovem); a dar oportunidades para a família crescer em integração e conhecimento especializado (SOS Família e Inclusão Digital); e a possibilitar uma velhice saudável (Projeto Vida Ativa). Assim, os Missionários Redentoristas tentam auxiliar os seus atendidos a terem uma vida melhor, estando eles em qualquer etapa de sua vida.

            Em resumo, podemos afirmar que os Missionários Redentoristas da Província de São Paulo se preocupam, cada vez mais, com uma evangelização de qualidade, usando de todas as ferramentas disponíveis para poder atingir o máximo de pessoas, pois, quanto mais pessoas amarem a Jesus Cristo, mais o sonho de Santo Afonso vai se tornando realidade por meio do trabalho pastoral de seus filhos espirituais. Atualmente, os redentoristas da Província de São Paulo, colaboram com a missão redentorista no Suriname.

            Província do Rio de Janeiro:

            No Brasil, desde 1843, D. Antônio Ferreira Viçoso (1787-1875), bispo de Mariana/MG, já se utilizava das instruções da Moral Cristã, escrita por santo Afonso Maria de Ligório CSsR (1696-1787). Os missionários holandeses chegaram nas Minas, em maio de 1893, e em 20 de janeiro de 1894 se instalaram como a primeira Comunidade Redentorista do Brasil, em Juiz de Fora/MG. A saber, os padres Matias Tulkers, Francisco Xavier, Pedro Beks e os Irmãos Filipe, Doroteu e Gregório, o arquiteto. Os redentoristas holandeses fundaram outras comunidades missionárias em Belo Horizonte/MG (1902), no Rio de Janeiro/RJ (1904), em Curvelo/MG (1906) e Campos/RJ (1923), onde edificaram respeitável patrimônio arquitetônico e artístico, os quais continuam testemunhando a história ao longo do tempo.

            Posteriormente constituíram Comunidades em Garanhuns/PE (1947), em Salvador/BA (1948), em São José da Mata/PB e em Campina Grande/PB (1952), as quais fazem parte de outras fundações. Na década de 1920 fizeram outras fundações no Sul de Minas (Campanha e Três Pontas) as quais duraram pouco tempo, porém, deixaram legados importantes. Nesta região, o Ir. Martinho (1897-1987) foi o responsável pela difusão do gado holandês que ele criava e orientava aos criadores. 

            A primeira missão popular redentorista foi pregada em Mariana/MG, na quaresma de 1896, e no decorrer do mesmo ano pregaram outras em Sabará-MG, Ouro Preto/MG e São João Del Rei/MG. No ano seguinte, pregam em Santo Antônio, São Gonçalo do Rio Abaixo, Sant’ Ana do Barroso, Nazaré, Carrancas e Conceição da Barra, todas em Minas Gerais.

            Estas missões foram de grande valia, tanto para os missionários quanto para o povo, porque perceberam que fiéis tinham boa vontade, mas, lhes faltavam formação e lideranças. Posteriormente, em 1911, colaboram com os redentoristas bávaros de Aparecida, nas missões, inclusive, na cidade de Pindamonhangaba/SP. Atualmente, além das primeiras Comunidades já mencionadas eles residem em Cariacica/ES e Coronel Fabriciano/MG. A presença redentorista em Minas, Rio e Espírito Santo, continua vigorosamente nas Paróquias, Santuários (Curvelo-MG e Campos/RJ), nas Missões, nos Meios de Comunicação, no Acervo de Literaturas Científicas (Biblioteca).  Há, também, uma obra social de grande importância tanto para a Província quanto para os seus assistidos, que está presente em quase todas Paróquia atendidas pelos missionários. Atualmente, os redentoristas da Província do Rio, colaboram com a missão redentorista em Moçambique na África.

            Província de Goiás:

            O bispo de Goiás, D. Eduardo Duarte da Silva (1852-1924), em 1894, pedia para que os redentoristas viessem trabalhar no Centro-oeste brasileiro, no Santuário da Santíssima Trindade. Os missionários bávaros desembarcaram no Rio de Janeiro/RJ, em outubro, depois de passarem por Aparecida/SP, seguiram viagem de trem até Uberaba/MG, e a cavalo até Campinas/GO (atual Goiânia), onde chegaram em 12 de dezembro de 1894, quando o sonho de D. Duarte tornou-se realidade. E os pioneiros foram os padres Gebardo Wiggermann, João Batista da Mata, Miguel Siebler e os Irmãos Norberto, Gebardo, Uldarico e Floriano.     

            Desde o alvorecer do século XX, os redentoristas, muito, colaboraram com o progresso da Região Central do Brasil, ora pelo zelo pastoral, ora pelas orientações agrícolas e técnicas de construções.  A eles, também, couberam as manufaturas de vinho, marcenaria, talhas nas igrejas, escultura e pintura, as primeiras instalações elétricas e telefônicas.

            No princípio, os missionários trabalharam no Santuário do Divino Pai Eterno e no atendimento da região. Em Goiás, também introduziram a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, há mais de um século, hoje a Novena é concorrida por milhares de devotos, semanalmente. No ano de 1944, os missionários começaram a Casa de formação para os futuros redentoristas para assim dar continuidade aos trabalhos apostólicos e missionários e prosseguir suas atividades nos Estados de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins, onde atuam nas pastorais ordinárias (paróquias) e extraordinárias, nos santuários, missões populares e nos meios de comunicação modernos.  

            Nesta Unidade, o padre Pelágio Sauter, CSsR (1878-1961), bávaro, missionário inculturado, servo de Deus, tornou-se um ícone redentorista respeitado e respeitável.  Ultimamente, a devoção ao Divino Pai Eterno (de Trindade/GO) tem atingido o Brasil inteiro, através da TV e das peregrinações realizadas pelo Padre Robson de Oliveira, CSsR. Atualmente, os redentoristas da Província de Goiás, colaboram com a missão redentorista no Suriname.

            Província de Porto Alegre:

            A Unidade Redentorista no Rio Grande do Sul, iniciou-se em 1920 com o grupo vindo da Unidade de São Paulo, com o intuito de começar um centro de irradiação missionária.

            A primeira comunidade foi instalada na cidade de Pelotas/RS, com os padres Antão Jorge, Orlando Lino, Francisco Alves e o Ir. João Winhart. A fundação foi instável, pois, mudaram-se para Cachoeira/RS (1921), Carazinho/RS (1935), Pinheiro Marcado/RS (1937) e Passo Fundo/RS (1951). Nesta última, os missionários formam os futuros confrades (Propedêutico), cujos estudos prosseguem em Porto Alegre/RS (filosofia e teologia). Também em Porto Alegre/RS atuam no Santuário da Santa Mãe de Deus. Há outras Comunidades em Viamão-RS, Lages/SC, Lontras/SC e Campo Erê/SC.

            Há um grupo de missionários redentoristas da Província em Belém do Pará, desde 1991, onde localizam o Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, cuja devoção remonta ao Ciclo da Borracha (1910), e são muito concorridas as novenas perpétuas. Lá, os milhares de devotos renovam sua fé, esperança, solidariedade e senso de pertença eclesial.

            No Pará, os redentoristas possuem casas em Belém e Ananindeua.Tanto no Sul quanto no Norte, os redentoristas realizam as missões, suscitam e organizam comunidades e modos de ação solidária. Nas paróquias onde desempenham suas atividades, continuam enfrentando os desafios urbanos e a formação de lideranças. No sul, mantém um trabalho de administração e coordenação de ensino escolar.

             Província de Campo Grande:

           

A Unidade Redentorista do Mato Grosso do Sul e Paraná, iniciou-se em 1930, com a chegada dos missionários norte-americanos de Baltimore, Estados Unidos, em Aquidauana/MS.

            Os primeiros redentoristas, a residirem no local, foram os padres Francisco Mohr e Afonso Maria Hild. Posteriormente, com a chegada de outros missionários, fundaram Casas em Bela Vista (Brasil-Paraguai), Curitiba/PR (1934), Ponta Grossa/PR (1935), Campo Grande/MS (1938), Ponta Porã/MS (1943), Paranaguá/PR (1945), Telêmaco Borba/PR (1946), Guaratuba/PR (1964).

            Em diversos lugares, os redentoristas fundavam as Associações Religiosas, Confrarias do Perpétuo Socorro e Santo Afonso, e Cruzada Eucarística. Empenhavam, também, na fundação de Escolas Paroquiais e Colégios. Trabalham muito, também, nas missões populares, na orientação de retiros e nos Santuários do Perpétuo Socorro, em Curitiba/PR e Campo Grande-MS, pelos quais, semanalmente, passam uma multidão de 80 mil devotos. E outros milhares de devotos, anualmente, frequentam o Santuário de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá/PR, padroeira do Estado do Paraná, sendo uma das devoções marianas mais antigas radicadas no Brasil. 

            Além das pastorais ordinárias (paroquiais) e extraordinárias (santuários), os redentoristas atuam na orientação de retiros espirituais e na coordenação de tratamentos de dependentes químicos e depressivos, e nos Meios de Comunicação. Atualmente, os redentoristas da Província de Campo Grande, colaboram com a missão redentorista no Suriname.

            Vice Província de Manaus:

            A pedido do bispo de Manaus/AM, D. João da Mata do Amaral (1898-1954), os redentoristas norte-americanos de Saint Louis aceitaram a missão de trabalhar no Norte do Brasil.

            Os primeiros missionários chegaram em Manaus, a 22 de junho de 1943. Foram os padres André Joerger, João McCormick, José Buhler, José Ehvorthy, Jaime Martino e o Irmão Cornelius Ryan. Estes laboriosos filhos de Santo Afonso fundaram casas missionárias em Manaus/AM (1944), Coari/AM (1945), Belém/PA (1948), Manacapuru/AM (1949) e Teresina/PI (1964). Nestas cidades, nas periferias e nas povoações ribeirinhas, os redentoristas pioneiros prosseguiam com simplicidade de vida, dedicação e com a teimosia de bons missionários. Assim foram conquistando a confiança e o coração de toda aquela gente.

            O Irmão Cornelius Ryan, como construtor e hábil carpinteiro, dirigiu as primeiras construções e posteriormente confeccionou alguns barcos que serviam aos missionários e ao povo de Deus. Além do zelo pastoral, os redentoristas muito fizeram pela saúde pública, através de remédios vindos dos Estados Unidos e materiais para o uso dos agentes de saúde. Igualmente se preocuparam com a formação acadêmica dos formandos e de outros profissionais amazonenses. 

            Além das atividades pastorais exercidas nas paróquias, nas comunidades ribeirinhas no Amazonas e no Acre, as novenas semanais dedicadas à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tem muita influência sobre os fiéis. Vale recordar que o culto à Mãe do Perpétuo Socorro chegou ao Amazonas e Pará, por volta de 1910, através dos migrantes cearenses que foram trabalhar nos seringais.    

             Vice Província de Recife:

            A primeira casa redentorista no Nordeste Brasileiro foi fundada em Garanhuns/PE, em 1947. Seguidas de outras fundações em Salvador/BA (1948), São José da Mata e Campina Grande/PB (1952).

            Em 24 de agosto de 1953, foi instalada oficialmente a Vice Província, em Recife/PE. A partir de então, diversas foram as missões redentoristas pregadas pelos missionários holandeses e brasileiros. Tornaram-se célebres as Novenas em honra a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a partir de 1956. 

            As atividades sociais ganharam fama e destaque através da Escola Técnica Redentorista, em Campina Grande/PB. E a promoção humana coube ao famoso Irmão Urbano Win, que através de suas técnicas de simplificação de construções de casas, reservatórios d’água e perfuração de poços, trouxe novas esperanças ao Semi-árido Nordestino.

            Também o padre Vitor Rodrigues, CSsR (1914-2010) tornou-se o famoso redentorista do sertão. Homem de grande liderança e pulso firme, “mais temido que amado”, sabia conduzir os movimentos de massa e tinha trâmite político.  Outros missionários atuaram em favor da Justiça Social, através dos Sindicatos e Comunidades Eclesiais.  

            Esta Unidade Redentorista do Nordeste recebeu, até pouco tempo, reforços missionários e outras colaborações dos redentoristas de São Paulo, desde 1992. E atualmente, estes missionários, holandeses e brasileiros, exercem suas atividades em Recife/PE, Jaboatão/PE, Garanhuns/PE, Natal/RN, Campina Grande/PB, Ararapiraca/AL e Aparecida/SE. Esta unidade redentorista está presente em cinco (5) estados brasileiros.

            Vice Província de Fortaleza:

            Os redentoristas irlandeses chegaram ao Brasil em maio de 1960. Em Pedro Afonso, atual Estado do Tocantins, foi instalada a primeira Comunidade dos religiosos, a saber, os padres: Jaime Collins (1921-2002), João Myers, Miguel Kirwan e Tiago McGrath. Posteriormente, eles instalaram outras casas, dentre as cidades, mencionamos: Fortaleza/CE (1962), Paraiso/TO (1963), Guaraí/TO, Iguatú/CE, Teresina/PI, Caucaia/CE, Aracati/CE (2002) e Araioses/MA (2012).

            Desde os anos de 1960 estes missionários atuaram além das pastorais ordinárias e extraordinárias, muitos colaboraram com a Doutrina Social da Igreja, através da Solidariedade e formação de lideranças, junto aos camponeses, nas CEBs, nas periferias das grandes cidades, junto aos excluídos. Diversas foram e são as atividades que exerceram e exercem na promoção humana e na evangelização integral do Povo de Deus.

            São diversas  as paróquias missionárias, as missões populares e as Novenas em honra a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Teresina/PI e Fortaleza/CE, onde os milhares de devotos recorrem semanalmente.

            O Estado do Ceará nos deu três legados que anteciparam a chegada dos redentoristas: 1) José Ferreira Caminha (1841-1861), natural de Aracati, foi o primeiro redentorista brasileiro professo, falecido em 10 de outubro de 1861, na Inglaterra; 2) O Pe. Aureliano Mota, diocesano, introduziu a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em 1905; 3) O Pe. Misael da Silva Gomes, diocesano, trouxe a devoção a São Geraldo Majela CSsR, em 1916. Atualmente, os redentoristas da Unidade de Fortaleza/CE, irlandeses e brasileiros, fundaram uma missão redentorista em Moçambique, na África.

            Em Propriá/Sergipe

            Em 1963 chegaram no estado de Sergipe, os redentoristas da Bélgica. Eles assumiram o seu serviço na pastoral paroquial. Diante da falta de vocações locais e reforços da Bélgica, a Missão de Sergipe deixou de existir e os confrades se incardinaram no clero diocesano. No ano de 2013 a Vice Província de Recife abriu uma casa na cidade de Nossa Senhora Aparecida/SE.