BEATO PEDRO DONDERS, O APÓSTOLO DO SURINAME

O beato Pedro Donders nasceu no dia 27 de outubro de 1809, na Holanda, na cidade de Tilburg, filho de Arnaldo e Nélia. É considerado o Apóstolo do Suriname por ter dedicado grande parte da sua vida cuidando de leprosos no Suriname, com uma vida entregue a Deus de maneira muito generosa.
Ele foi batizado por um padre norbertino, nos primeiros dias de vida. Desde os cinco anos tinha o desejo de ser padre. Brincava com seus colegas de infância e ajudava os pais nos trabalhos da casa e como tecelão. Costumava rezar durante o trabalho e cada dia ia também na igreja, e dava aulas de catecismo para as crianças.
Com ajuda do seu pároco W. De Ven entra no seminário menor, pagando seus estudos com serviços internos, bem como com a ajuda de benfeitores. Vence assim duas dificuldades: a de não ser um dos alunos mais inteligentes e ser pobre. É aconselhado por seus diretores a entrar numa família religiosa, mas não é aceito por franciscanos, jesuítas e até redentoristas, em um dado momento da sua vida.
Pouco antes da sua ordenação sacerdotal escuta uma conferência sobre a missão do Suriname. Isso o anima e aumenta seu desejo de ser missionário. Aos 5 de junho é consagrado como sacerdote. No dia 22 de maio de 1842 faz sua pregação de despedida. No dia 1º de agosto, dia de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos redentoristas, parte de navio para o Suriname. Chega em Paramaribo, capital deste país, aos 16 de setembro. Esta terra torna-se o seus segundo país, que ele nunca mais deixará.
O bispo Dom Grooff convida-o a ir a Batávia, uma colônia de leprosos, três semanas após sua chegada. Ele se apaixona pelos leprosos e pelo lugar. Pedro Donders escreveu sobre a construção de casas:
“Os pobres leprosos vindos de diferentes fazendas, enviados para Batávia porque contaminados, começam a construir casas, em forma de cabana, todas com o mesmo tipo, feitas de palha para cobrir e parecendo mais como um chiqueiro de porco, sobretudo por dentro, do que casas para pessoas humanas”. (cf. livro do Pe. Sebastião Mulder, Felizes aqueles que se doam)
Outro bispo de sua época, Swinkels, escreveu sobre a realidade desses pobres enfermos: ”Pela primeira vez tive repugnância pela lepra. Eu ministrei a crisma a uma senhora leprosa, que jazia em tábuas no chão da sua cabana. Não havia um ponto sequer no seu corpo que não tivesse sido atingido pela doença incurável. O odor era forte e repugnante como de um corpo em pleno apodrecimento. De tal maneira eu estava tão sensível, que eu tive que abrir as duas portas externas para poder cumprir a minha função até o fim”.
A este local de espanto, Pedro Donders foi levado por estas pessoas, não sabendo que durante vinte e sete anos por lá iria passar.

No entanto, ele volta a capital, para trabalhar como pároco por 14 anos. Diz-se que ele era um confessor rigoroso e uma pessoa que repartia o que possuía. Repartia o pequeno salário mensal, dava suas coisas, comida e roupas a toda gente que precisasse. Ao visitar uma escrava, vê ele que ela está quase sem roupas. Vai atrás da casa, tira sua camisa, ficando de batina. Joga para dentro sua camisa pela fresta da porta.
Não só crianças, mas muitos adultos vinham ouvir as lições do padre Pedrinho. Uma escrava, Mathilde Dundas, veio também para ouvi-lo. Ela ficou tão tocada por sua catequese que foi batizada em segredo. O seu patrão ficou furioso depois que isso aconteceu. Mandou açoitá-la no piquete público, de maneira que o sangue escorreu do seu corpo por todos os lados. Então, ela foi a Pedro Donders que a consolou e disse: "Agora você recebeu três batismos, o batismo da reconciliação, o batismo da água e o batismo de sangue. Agora cuida bem para ficar sempre fiel na fé”.
Em 1851, Pedro Donders contraiu febre amarela e ficou acamado por quatro semanas.

Missionário Redentorista
O Papa pede aos missionários redentoristas para assumirem a missão do Suriname em 1865. Os padres podiam escolher: voltar para a Holanda ou entrar na família redentorista. Pe. João Rommen e Pe. Pedro Donders resolvem ser redentoristas. Fazem a consagração religiosa com muita alegria, aos 24 de junho de 1867.
Estes vão servir aos abandonados leprosos, negros e índios, por tantos anos, doando sua vida à Igreja e sociedade. Esta colônia para leprosos teve início em 1824. chegou a ter 500 leprosos, e em média, morriam 150 por ano. As crianças nascidas lá, que não tinham esta doença, porque eram enviadas à cidade de Paramaribo. Quando a colônia foi fechada em 1897, 83 pacientes são transferidos para a nova leprosaria de Chatillon.

Fim de ministério
No fim da sua vida, Pedro sente suas forças diminuírem; tem febres frequentes, os joelhos já não ajudam a caminhar, a ajoelhar-se. A isto ele diz: “Isto vem por si, e também vai embora por si mesmo”. No último dia de 1866 ele sofre fortes dores nos rins. Os medicamentos não aliviam a dor. A situação vai piorando, ele não reclama; somente diz: “Seja feita a vontade de Deus. Em tudo seja feita a vontade Dele”.
Recebe com muita fé a unção dos doentes, e aos 12 de janeiro de 1887 diz: "Vou morrer nesta sexta-feira, depois de amanhã, às 15 horas". O irmão que cuidava dos doentes, Gustavo Bles diz: "Às quinze para as três da tarde visitei o Pedro. Ele estava consciente e rezava em silêncio. Tinha muita paz e sem medo da morte". De fato, a morte o alcançou perto das 15h30, numa sexta-feira, dia 14 de janeiro.
No dia 15 de janeiro de 1887 é sepultado junto da cruz missionária, na Batávia, com rezas, cânticos e lamentações de todos. Em 1901, seus restos mortais são transladados para a catedral São Pedro e São Paulo de Paramaribo, onde permanecem até hoje.

Nas dioceses de Den Bosch, na Holanda, e de Paramaribo, no Suriname, é aberto o processo de beatificação. Em 1913 é dado um passo a mais, ele é reconhecido como Servo de Deus. Em 1945 o papa Pio XII decreta que ele viveu de uma maneira heroica as virtudes cristãs, e aos 23 de maio de 1982 é reconhecido pelo Papa João Paulo II como bem-aventurado. Aos 27 de outubro de 2009, celebrando os 200 anos do seu nascimento, é aberto na sua cidade natal na Holanda, Tilburg, o museu do “Amor ao próximo”. Um filme documentário, com duração de uma hora mostra Pedro Donders, sua vida, suas cartas. Cenas são feitas no Suriname e em Tilburg, tendo sua primeira exibição nesta cidade, em 09 de outubro de 2009.

Desde o ano 2000, o Superior Geral da Congregação, Pe. Joseph Tobin, confiou a missão no Suriname aos cuidados da União dos Redentoristas do Brasil (URB). E lá se vão 20 anos de missão, sendo que os frutos começaram a amadurecer e necessitam de mais missionários disponíveis para aquela presença redentora junto ao povo do Suriname.

Mensagem
O que nos atrai na vida do Beato Pedro Donders? O ambiente simples e pobre vivido por esta criança, dando-lhe muitas alegrias? Sua vontade firme de lutar por aquilo que ele desejava: ser padre para o povo? O desejo de se aventurar como missionário levando amor, longe do seu lar, da sua terra? O jeito de viver com grande alegria, fazendo-se amigo dos escravos, dos negros, dos índios, dos brancos? O fato de nunca deixar de abraçar leprosos? Ou a sua convivência global sem fazer distinção de origem, religião, cor, sexo e identidade?

Oração
Querido Pedro, és uma bênção para as pessoas, porque para ti não há diferenças de cor, religião, posição social. Com teu olhar aberto para o mundo, vais ao encontro de cada pessoa como um amigo; com teu coração de ouro mostras como Deus faz acolhendo e se doando a todos. Pedro querido, nas dificuldades da vida ajuda-nos a sermos fortes juntos; ajuda-nos a nos conhecermos e a queremos bem uns aos outros; ajuda-nos a construir uma terra mais bonita e melhor.

Adaptação dos livros em língua holandesa: 'Felizes os que se doam', 2006, 'Rezar com Pedrinho Donders', 2009, 'Pedro Donders junto com os pobres', 2009.